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Como controlar a ração a granel sem perder o saco aberto

A ração a granel sai de um saco que o estoque ainda conta como fechado. O que isso quebra na compra, no custo do quilo e na nota do balcão.

Por Juliana, CEO · publicado em · atualizado em

Sábado de manhã, a tutora do Thor chega e pede dois quilos da ração de sempre. Não existe embalagem de dois quilos: existe o saco de quinze. Alguém pega o saco que está aberto atrás do balcão, enche o pote, pesa, cola a etiqueta que a balança imprimiu e passa na venda.

Leva quarenta segundos. Ninguém para para pensar no que acabou de acontecer.

A venda saiu certa. O estoque, não.

O saco aberto deixou de ser um saco

No cadastro, aquele saco continua sendo uma unidade inteira até alguém decidir o contrário. Ele foi comprado como unidade, entrou como unidade e é contado como unidade. Só que, a partir do momento em que a colher entrou nele, ele deixou de ser uma unidade — virou um peso que diminui em pedaços de duzentos gramas, meio quilo, cinco quilos, do jeito que cada cliente pede.

São duas coisas diferentes dividindo a mesma prateleira. O saco fechado é vendido inteiro e contado em unidade. A ração solta é vendida em quilo e contada em peso. Elas têm preço por quilo diferente, giro diferente, e até validade prática diferente — um saco lacrado dura o que a embalagem promete, um saco aberto dura bem menos, porque entra ar toda vez que alguém serve.

O balcão sabe disso muito bem. Quem atende nunca confunde o saco fechado com o pote da balança. É o cadastro que não sabe. E o combinado que quase toda loja faz para resolver — "só dou baixa no saco quando ele acabar" — funciona por alguns dias e escorrega sempre pelo mesmo lugar: o saco nunca acaba num dia calmo, cada pessoa tem a sua noção de "acabou", e quase sempre há dois sacos abertos da mesma marca ao mesmo tempo.

O que o saco aberto custa, nos dois sentidos

O primeiro custo aparece na compra. Enquanto o saco aberto conta como unidade fechada, o alerta de estoque mínimo está olhando para o número errado: o sistema mostra três sacos, um deles está pela metade, na prática são dois e meio — e o aviso que deveria ter saído na terça sai na sexta.

Esse atraso cai justamente sobre o produto de maior giro, porque é o de maior giro que vive aberto. E o custo dele não é a margem de um saco. Quem veio buscar ração e não achou resolve no mesmo dia, comprando pela internet, e descobre que receber em casa é cômodo. Ração é a compra mais recorrente que existe numa loja de bairro: é ela que traz o tutor à porta todo mês, e é na visita da ração que sai o banho, a tosa, o antipulgas. Perder a ração raramente é perder só a ração.

O segundo custo é a margem, e ele é silencioso. Um saco de R$ 130 com quinze quilos diz exatamente quanto custou o quilo: R$ 8,67. Mas o produto "a granel" no cadastro costuma carregar um custo que veio de outro lugar — de uma compra antiga, de uma estimativa feita numa tarde, ou de nada. Enquanto for assim, a margem do granel é ficção. E o granel normalmente é o item de melhor margem da loja: o cliente paga mais por quilo para levar dois quilos do que pagaria levando o saco inteiro, porque está comprando conveniência. É a melhor margem da prateleira sendo a única que ninguém confere.

Some a isso o arredondamento. Quase ninguém tira ração do pote para fechar em dois quilos exatos: se deu 2,08, vai 2,08 pelo preço de dois. São oitenta gramas de brinde numa venda só, e essa gentileza acontece dezenas de vezes por semana, sempre no item de maior saída.

Faça a conta com os seus números: o preço do quilo, vezes as gramas que sobram numa venda comum, vezes as vendas de granel de uma semana, vezes as semanas do ano. O resultado muda muito de loja para loja, mas em nenhuma ele é pequeno.

Um lugar só, uma linha por saco aberto

A primeira mudança não é contar melhor. É escrever a abertura do saco na hora em que ela acontece, num lugar único — uma folha presa ao lado da balança ou uma planilha numa pasta compartilhada. Os dois funcionam. Ter os dois ao mesmo tempo, não.

A folha tem sete colunas, e nenhuma delas é enfeite:

  • Data — o dia em que o saco foi aberto.
  • Produto e marca — do jeito que está no cadastro, sem apelido de balcão.
  • Peso do saco — quinze, vinte, o que a embalagem diz.
  • Custo do saco — o que está na última nota de entrada, não o preço de tabela.
  • Custo do quilo — a divisão das duas colunas acima, feita na hora.
  • Quem abriu — o nome de quem estava no balcão.
  • Peso conferido — em branco até a conferência semanal, e aí o que a balança mostrou.

As duas que quase nenhum caderno tem são as que resolvem. Custo do quilo é o número que faz a margem do granel deixar de ser palpite. Peso conferido é o que transforma a folha numa medição, e não numa lista do que você acha que tem.

E vale uma regra de momento: a linha se escreve quando a faca abre o saco, não no fim do dia. Anotação adiada é anotação que não acontece, e o peso lembrado às sete da noite nunca é o peso certo.

Duas conversas fecham o cadastro, e nenhuma delas é com o cliente. Com o fornecedor, peça o XML da nota de entrada: é dele que sai o custo do saco sem ninguém digitar. Com o contador, leve o produto novo do granel antes da primeira venda e peça os cinco campos que a nota exige de todo item — NCM, unidade comercial, CFOP, origem do ICMS e situação tributária. Um produto criado às pressas, com nome e preço só, passa despercebido por dias porque tudo o que ele toca no balcão funciona; ele aparece na primeira NFC-e, com o cliente na frente esperando o cupom.

A conferência de segunda, quinze minutos

Uma folha que ninguém abre é um papel. O que a transforma em dinheiro é uma hora fixa, toda semana, com nome e dia marcados. Segunda de manhã, antes de a loja encher, uma pessoa só faz isto:

  1. Pesa o que sobrou em cada saco aberto da folha, um por um, e escreve na coluna Peso conferido.
  2. Compara com a sua conta — o peso do saco menos o que foi vendido a granel na semana. A diferença entre os dois números é o que a colher vem dando de brinde.
  3. Fecha as linhas dos sacos que acabaram, com a data, para elas saírem da conferência da semana seguinte.
  4. Confere o custo do quilo do produto de maior saída contra a última nota de entrada. Se o fornecedor reajustou, o número da folha mudou e o preço de venda ainda não.
  5. Anota quantos sacos abertos ficaram, por marca. É esse número, e não o total de sacos, que decide a compra da semana.

Quinze minutos e uma balança resolvem, sem sistema nenhum. O que interessa não é a diferença de uma segunda-feira: é se ela está crescendo de uma para a outra, e em qual produto. Ela costuma ser maior no item de maior giro, não no mais caro.

Onde o caderno quebra, e é bom saber antes

O processo acima funciona, e vale começar por ele nesta semana. Mas ele tem quatro limites conhecidos.

O volume. Três sacos abertos cabem numa folha e a olho nu. Doze, entre ração, areia e petisco a granel, viram meia hora toda segunda — e a meia hora que ninguém tem é a primeira a sair da agenda.

O sábado. É o dia de maior saída de granel e o de menos gente sobrando. A linha que deveria ser escrita quando a faca abre o saco é justamente a que não se escreve com fila no balcão.

O funcionário novo. Ele não sabe que abrir o saco vira linha. Abre, serve, vende — e o peso some de um jeito que não é erro nem desleixo, é falta de combinado.

A venda e a folha andam separadas. A folha registra o que entrou no pote; o sistema registra o que saiu na venda. Enquanto forem dois papéis, a diferença entre eles é você que calcula, toda semana, à mão — e é sempre a conta que fica para depois.

No Pegasus, abrir o saco é uma movimentação de estoque

A saída não é lembrar melhor. É parar de tratar a abertura do saco como um acerto que alguém faz depois, e passar a tratá-la como o que ela é: uma movimentação, com hora, autor e dois lados.

Abriu o saco, você abre o produto no catálogo e fraciona. Sai uma unidade do saco fechado, entra o peso correspondente no produto a granel, na mesma operação. Não são dois lançamentos que alguém precisa lembrar de fazer em sequência: é um só, e ou acontece inteiro ou não acontece.

O histórico de estoque registra os dois lados, e registra com nome próprio. Uma venda tem a venda como documento de origem; uma entrada por XML tem a nota do fornecedor. O fracionamento não tem documento nenhum por trás — as duas linhas do histórico são o único registro de que um produto virou o outro. É por isso que a pergunta "de onde saiu esse peso?" tem resposta um mês depois, sem depender da memória de quem estava na loja naquele sábado.

Lista de produtos do Pegasus Pet com estoque em casas decimais e grupo de ração a granel
Na lista de produtos, o estoque aparece com casas decimais e o granel fica em grupo próprio, ao lado do produto fechado do mesmo item.

Uma decisão de produto vale ser explicada aqui, porque ela parece um esquecimento e não é: o peso que entra do lado do granel você digita na hora. O sistema não preenche esse número sozinho.

A tentação de calcular é grande — quinze quilos entraram, quinze quilos deveriam sair. Só que não saem: sobra pó no fundo, a balança tem a sua tolerância, e o mesmo saco rende pesos diferentes conforme o produto e o jeito de servir. Número calculado seria estimativa disfarçada de medição, e estimativa disfarçada é pior que número nenhum, porque não pede conferência. Pelo mesmo motivo, o custo do granel continua sendo escolha de quem opera.

A nota também para de ser descoberta no balcão. Antes de emitir, o Pegasus confere cada produto da venda e bloqueia a emissão que já nasceria recusada, apontando qual campo falta em qual item — os mesmos cinco que o contador pediu. O CEST fica de fora dessa lista de propósito: ele só é exigido sob ICMS-ST, e cobrá-lo de todo mundo barraria notas que a SEFAZ aceitaria sem ele. O bloqueio não é um obstáculo a mais, é o obstáculo antecipado: uma nota recusada pela SEFAZ volta como problema para resolver com o cliente já fora da loja.

Como o custo, a validade e o alerta de mínimo se encaixam no catálogo está em Estoque. O que trava uma NFC-e antes dela sair está em Emissão fiscal. E o lado da entrada — a nota do fornecedor que já chega com item, custo e vencimento prontos — está em Lançar nota de fornecedor não devia ser trabalho manual.

Se quiser ver o seu estoque de granel batendo com a prateleira, o teste do Pegasus é de 10 dias, sem cartão de crédito e sem fidelidade.

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