Sábado, onze e meia. A tutora do Pipoca vem buscar o lhasa do banho e, no caminho do balcão, pega um saco de ração e uma pipeta antipulgas da prateleira. Tudo na mesma comanda: banho, tosa higiênica, ração, pipeta. Ela paga no débito e pede a nota.
Quem está no caixa olha para a tela e faz a pergunta que trava o sábado: nota de quê?
Porque não existe a nota. Existem duas, emitidas para órgãos diferentes, sob regras diferentes — e aquele atendimento tem itens dos dois lados. Nas próximas linhas você separa serviço de mercadoria no seu cardápio, vê os três caminhos para a comanda que mistura os dois e monta, com caderno e caneta, a folha que decide o documento de cada item.
Uma é do município, a outra é do estado
A nota de serviço é a NFS-e. Quem cobra o imposto dela é a prefeitura, e o imposto é o ISS: é a nota do banho, da tosa, da diária do hotel, da consulta.
A nota do balcão é a NFC-e, modelo 65. Quem autoriza é a Secretaria da Fazenda do estado, e o imposto é o ICMS: é a nota da ração, do brinquedo, da coleira.
Não é preferência da loja nem escolha de quem está no caixa: quem decide é o tipo do item.
O que cai de cada lado do seu cardápio
Do lado do serviço ficam banho, tosa, hidratação, corte de unha, hospedagem, creche e adestramento — todos no 5.08. Consulta, vacina aplicada, exame e internação também são serviço, mas caem nos subitens veterinários: loja com sala de veterinário precisa de linhas dos dois grupos no cadastro. Do lado da mercadoria ficam ração, petisco, brinquedo, coleira, e o shampoo ou a pipeta que o tutor leva para casa.
A linha que mais confunde é essa última. O shampoo usado no banho da Pipoca não é venda: é insumo do serviço, e já está dentro do preço do banho. O mesmo frasco na prateleira, levado para casa, é mercadoria. O que muda não é o produto — é quem consome.
Isso pesa diferente em cada loja. No banho e tosa puro, quase toda nota é NFS-e. Na loja de produto é o inverso. No hotel, a diária é 5.08 e a ração vendida no check-out não é. Na clínica, as duas se misturam todo dia, no mesmo atendimento: o medicamento aplicado na consulta faz parte do serviço, o vendido em caixa fechada é mercadoria — e é onde o erro sai mais caro e menos visível. Como o município pode tratar o medicamento de um jeito próprio, esse é o item para levar ao contador.
A comanda que tem os dois: três caminhos
A decisão de verdade não é qual nota existe: é o que fazer quando o mesmo atendimento tem banho e ração dentro.
Caminho 1 — tudo numa NFC-e só. É o que mais se vê, porque é o que menos trabalho dá no sábado. O custo é que o banho sai declarado como se fosse mercadoria: o serviço fica sem o documento que o município espera. Tempo a mais por semana: zero. Quando faz sentido: como regra, nunca — só como exceção pontual, avisada ao contador e corrigida depois.
Caminho 2 — duas comandas separadas no balcão. Uma de serviço, outra de produto, do mesmo cliente. O custo é operacional: dois fechamentos, dois recebimentos, a tutora passando o cartão duas vezes. Tempo a mais: alguns minutos em cada atendimento misto. Quando faz sentido: loja de volume baixo, com poucas comandas mistas por semana, que precisa acertar o fiscal já.
Caminho 3 — uma comanda, itens classificados por tipo, dois documentos no fechamento. A tutora paga uma vez e a separação acontece na hora de emitir: a NFS-e leva só os serviços e a NFC-e só os produtos. O custo é de cadastro, e é adiantado: cada serviço carrega o código da lista, cada produto precisa de NCM, unidade, CFOP e situação tributária. Tempo a mais: o trabalho é feito uma vez. Quando faz sentido: quando a comanda mista é rotina — o caso de quase toda loja que tem banho no fundo e prateleira na frente.
A folha que decide o documento de cada item
O caminho 3 só funciona se cada item já chegou ao caixa classificado. Sem sistema nenhum, isso é uma folha impressa, uma linha por item que a loja vende, com estas colunas:
- Nome no balcão — como o cliente pede: "banho da Mel", "ração 15 kg".
- Serviço ou produto — uma palavra só. Pacote de banhos entra do lado do serviço.
- Documento — NFS-e para serviço, NFC-e para produto.
- Código — o item da lista de serviços, para o serviço; o NCM, para o produto.
- Só para produto: unidade, CFOP e situação tributária — as três colunas que o contador preenche.
- Conferido em e quem conferiu — sem data e sem nome, a folha vira lenda em três meses.
Comece pelos dez itens que mais saem. Eles cobrem quase toda a comanda, e o resto você completa conforme aparece. Para o serviço, o código que vale depende de o seu município emitir pelo padrão municipal ou pelo nacional; o passo a passo está em como arrumar a lista de serviços antes da NFS-e Nacional. Para o produto, o mesmo cadastro entra na conta da Reforma: o que conferir no cadastro de produtos antes de 2027.
A conferência de dez minutos, sempre na mesma hora
Uma folha bem feita não adianta se ninguém olha para ela. Escolha uma hora fixa — dez minutos antes de fechar a porta funciona — e faça sempre os mesmos quatro passos:
- Separe as comandas do dia em três montes: só serviço, só produto, mistas.
- Nas mistas, confira se saíram dois documentos. Uma NFC-e sozinha numa comanda com banho é o erro do caminho 1, e é aqui que ele aparece.
- Confira o valor de cada nota. A NFS-e soma só os serviços; a NFC-e soma só os produtos. Os dois valores, juntos, têm que dar o total da comanda.
- Anote o que ficou sem nota e o motivo. Item sem código, cliente sem CPF, internet fora — a nota que atrasa é assunto de outro texto.
Para o contador, mande por escrito e peça resposta por escrito: em qual item da lista cada um dos meus serviços cai? Como o meu município trata o medicamento aplicado na consulta? Quando o cliente pede a nota no CNPJ da empresa dele, o que sai para o produto?
Onde a folha quebra, e o caso em que você nem precisa dela
A folha funciona, e vale começar hoje. Mas ela tem limites.
O volume. Com trinta comandas por dia, ninguém confere três montes às sete da noite. A conferência vira amostra.
O funcionário novo. Ele não sabe que a ração e o banho vão em documentos diferentes, e emite o que estiver mais à mão. A nota sai, e sai no lugar errado — sem recusa nenhuma que avise.
O item novo. O petisco que entrou na semana passada não está na folha, e ninguém volta a ela para incluí-lo.
A comanda que muda depois. O cliente troca um item, o valor de uma das notas deixa de bater, e a nota já emitida não acompanha.
Existe também o caso em que a folha sobra. Quem só presta serviço, sem prateleira nenhuma — o tosador autônomo, o adestrador, o veterinário domiciliar — emite a NFS-e pelo portal da prefeitura, e muitas prefeituras oferecem esse emissor sem cobrança. Confira o da sua cidade antes de contratar qualquer coisa.
Perguntas frequentes
- Qual nota eu emito quando o cliente pede o CNPJ da empresa dele?
- Para o serviço continua sendo a NFS-e — ela aceita tomador pessoa jurídica, e é assim que o RH reembolsa o banho do funcionário. Para o produto muda: a NFC-e é o documento da venda a consumidor final, e mercadoria vendida a uma empresa, principalmente para revenda, costuma pedir a NF-e, modelo 55. Confirme com o contador.
- Preciso de certificado digital para emitir as duas?
- Para a NFC-e, sim: é obrigatório um certificado digital A1 válido. Para a NFS-e depende da prefeitura — algumas exigem certificado, outras trabalham com login e senha do portal municipal. Descubra qual é o caso da sua cidade antes de contratar qualquer coisa.
- Banho medicamentoso é serviço ou produto?
- O banho é serviço, mesmo quando usa um produto caro: o frasco aplicado no pet é insumo, não venda. Se a tutora leva um frasco fechado para continuar o tratamento em casa, aí existem duas coisas no mesmo atendimento.
No Pegasus, a comanda sai em dois documentos
O papel resolve o critério. O que ele não resolve é depender de alguém lembrar, num sábado às onze e meia, de qual item vai em qual nota.
No Pegasus o cadastro já separa produto, serviço e pacote, e é dessa separação que sai o documento. Ao finalizar a venda, a tela oferece emitir a NFC-e ali mesmo, com o valor dos produtos ao lado da opção — em venda mista, a nota não é o total. A NFS-e sai do botão da própria venda, e leva só os serviços e pacotes. Você não abre o portal da prefeitura nem o site da SEFAZ.
Antes de emitir a NFC-e, o sistema confere produto por produto o que a nota exige e mostra o nome do que está incompleto. Quando falta o NCM e o produto tem código de barras, ele propõe o NCM a partir dele; a decisão continua sendo sua e do seu contador.

Vale dizer o que isso não resolve. A NFC-e exige certificado digital A1 válido. A cobertura de NFS-e depende do município, e a sua cidade pode ainda não estar integrada. O sistema não escolhe o código de tributação do seu serviço: isso é configurado uma vez, com o contador. E a emissão fiscal é um módulo cobrado à parte — o que entra em cada plano está em Planos.
Como cada documento funciona no Pegasus está em NFC-e e em NFS-e. O teste do Pegasus é de 10 dias, sem cartão de crédito e sem fidelidade.